Chegou o grande final de semana do LETAPE e definitivamente estou pronta para fazer o percurso longo. Quem não conhece o Letape é a maior prova de ciclismo da América Latina com percursos desafiadores. O Completo de 101 quilometros conta com três subidas, que totalizam 2.330 metros de altitude acumulada. A versão menor terá altitude máxima 1.332 e 60 quilômetros pelas estradas do Vale do Paraíba.

Na primeira experiência em 2020 terminei o percurso curto com aquela sensação de quero mais – contei tudo no post (xxxxxx). Já em 2021 pairava a dúvida, desde que ganhei a inscrição, se faria ou não o percurso completo. Mas assim que o 70.3 de Florianópolis – que seria uma semana depois do LETAPE – foi cancelado, me joguei no percurso completo e encarei o desafio das 3 montanhas. Agora vem comigo que vou contar tudo sobre este final de semana maravilhoso.

Conhecer o Village e pegar o Kit

Sexta, 24 de setembro

Estava tudo pronto, nas últimas horas de quinta preparei minhas malas e ao amanhecer de sexta já esta na estrada com Alisson e nossas parceiras Ritinha e o Giant – nossas bikes, todos ansiosos pela nova aventura. Foram longos 325km de carro do Rio de Janeiro até Campos do Jordão curtindo a estrada, até que bem conservadas para o Brasil. Chegamos a belíssima cidade serrana às 13:30 de sexta, 24 de setembro.

Estávamos bem ansiosos para pegar o kit e curtir o VILLAGE, se você é iniciante em provas de ciclismo o Village é como se fosse um parque de diversões. Na verdade tá mais para um shopping cheio de empresas vendendo e apresentando seus mais novos lançamentos para ciclistas. Ah! Sim, tem coisas para todos os bolsos, basta andar e procurar. Agora se já entrou neste mundo de duas rodas sabe que o bolso do ciclista nunca pode estar meio vazio, porque o mais barato ainda é caro para a maior parte da população brasileira.

Nas o Village não é só um “shopping”, além de conhecer e comprar as novidades do mercado de ciclismo também encontramos amigos, celebridades, atletas top, fazemos bastante fotos e ainda podemos ajustar detalhes na bike com ótimos mecânicos da shimano.

Aproveitei para trocar a fita do guidão da Ritinha, Alisson ajustou o freio que estava prendendo e compramos o gel de carbo que esquecemos em casa. Vou abrir um parênteses aqui: No dia da prova não é momento de experimentar nada novo, use o que testou durante os treino.

Ah! Quase me esqueci: no Village também pegamos o Kit da prova.

Ritual pré-prova que funciona

Minha preparação começou na semana anterior a prova. Reduzo o volume e intensidade dos treinos, na alimentação aumento o consumo de carboidratos e dou muita atenção a hidratação, tudo com orientação da nutricionista. Conforme a prova se aproxima os cuidados aumentam bastante na expectativa que tudo funcione bem na prova.

Sexta-feira era dia de hidratar bastante com água, suco, gatorade, comer massa, proteínas e dormir cedo. Mas no percurso sempre tem umas pedras né? Este ano alugamos uma casa com amigos, amigos bem legais, mas nem todos estavam na mesma vibe de preparação para prova. Alguns estavam ligados no modo “diversão full”. Aí, neste momento é que seus objetivos precisam estar bem claros. Então, no meu caso liguei o botão da “chata” e segui o plano, comi e fui dormir cedo. Chata nível full, mas como tenho bons amigos eles super entenderam!

Sábado, 25 de setembro, começou o ritual

A regra é simples:

  • Aumentar carbo
  • Caprichar na hidratação
  • Beber 1 garrafa de gatorade ao longo do dia, além de água, água de coco ou suco de frutas

Exemplo de cardápio: (O habitual, nada de novidades)

Desjejum: Habitual pré-pedal + 1 banana + 1 col sopa de mel

Almoço: Evitar hortaliças cruas e folhosos. Aumente 1 col de arroz de arroz ou batata ou massa

Lanche: Aumente para 2 fts pão com 1 col sopa de mel ou geleia

Jantar: 1 a 2 pratos de massa ao sugo. Evitar hortaliças A e B.

As particularidades

Moro no Rio de Janeiro, num clima quente, muito úmido e no nível do mar. Todas as vezes que viajo para uma competição, gosto de acordar bem cedo, no dia anterior e sair para um trote pela cidade. A ideia é sentir o ar e perceber como meu corpo se comporta neste novo ambiente.

Campos do Jordão é bem oposto do Rio, a cidade está a mais de 1600m do nível do mar e neste final de semana estava com umidade baixa, seco, frio e o ar ainda estava empoeirado, com uma qualidade ruim. Definitivamente precisava me adaptar, por mais água que bebesse, hidratante e protetor que usasse, estava com o nariz e rosto seco, queimado e descamando.

Fui correr, no início senti bastante dificuldade para respirar, batimentos cardíacos mais acelerados que o normal e pernas pesadas. No caminho passei por uma farmácia para comprar um lubrificante de vias respiratórias: A salvação! Usei durante toda minha estadia em Campos e me ajudou bastante, mas o rosto seco, nem hidratante resolveu.

Foram 9 km de trote, bem leve, pela cidade. Tinham muitos atletas fazendo o mesmo, correndo, pedalando, caminhando. A cidade respirava o LETAPE, era lindo demais ver os pelotões de amigos passeando e curtindo o clima da cidade. Se você for em outras edições, faça isso! Acorde bem cedo e vá conhecer a cidade correndo ou pedalando, mas sem fazer muito esforço! Apenas algo bem na sua zona 1 de conforto. Além de curtir uma vibe bem legal, seu corpo vai se adaptar bem mais rápido a região.

Quando cheguei em casa meus amigos estavam de pé e prontos para passear de bike pela cidade. Peguei o capacete e levei a Ritinha para conhecer a cidade antes da prova. Aproveitei para checar se estava tudo em ordem com ela, era a última oportunidade de ajustar qualquer problema.

Tudo certinho! Almoçamos, paramos para o café da tarde e pronto escureceu! Mas era apenas três horas da tarde e o céu ficou negro. Uma tempestade caiu, muita chuva, granizo e com ela o medo da chuva ser constante e insistente até a largada de domingo.

A chuva foi forte, mas passageira e trouxe umidade à Campos do Jordão, melhorando a qualidade do ar. Só que também carregou muita lama, galhos e sujeira para as pistas. Recebemos notícias no grupo da nossa assessoria que a equipe do Letape trabalharia a noite inteira para limpar os 104km do percurso, mas que havia um grande risco de alguns trechos serem cortados, para manter a segurança dos competidores.

Seguimos o plano. A noite alguns foram para palestra sobre o percurso, estratégia e alimentação durante a prova, enquanto outros apenas descansavam até a hora da deliciosa macarronada do jantar. Aqui fica uma observação: A cidade vai estar lotada, então se organize para conseguir um lugar decente para jantar, os locais mais afastados do centro geralmente estão mais “vazios”. Reserve um lugar ou faça você mesmo seu jantar.

A noite chegou, barriga cheia e os preparativos finais foram cantados no checklist para não esquecer nada. Sigo e mentalizo meu passo a passo desde o acordar até a linha de chegada. Tudo separado, hora de relaxar e dormir “cedo” e ter a melhor noite de sono da vida.

A magia vai acontecer: A prova, o LETAPE.

Os 107km se transformaram em 104km até que cortaram parte da prova e a corrida contou com um pouco menos de 96km. Se quiser saber tudo sobre esta aventura, repleta de emoções, vem comigo que vou contar como foi a minha primeira experiência no Percurso Longo do Letape – Campos do Jordão, na próxima postagem

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